Só na semana seguinte Roberta recebeu o telefonema de Guilhermina:
— Ele não me liga, já faz três dias!
Roberta cortou imediatamente:
— Eu já ouvi isso, Gui! Você vai dizer que vocês falaram no MSN, que foi tudo de bom, e ele mandou um torpedo supergracinha que você respondeu com um também muito bonitinho e tudo isso aconteceu por alguns dias, mas um belo dia você ligou e ele não atendeu, depois você mandou um torpedo e ele não respondeu, ao mesmo tempo que ele não entra mais no MSN. Não é isso? Eu preciso falar uma verdade: você escolhe os homens errados. Todos eles têm o mesmo perfil e, por isso, as mesmas reações para as atitudes que você repete com todos eles. A Maria tinha toda razão quando falou que você não sabe escolher os seus namorados, ou melhor, você escolhe todos de forma que não dê certo. Parece que é isso que você quer!
— Você não está falando sério! Eu sempre disse que o que eu mais quero na vida é ter um relacionamento duradouro com o homem certo, Rô! Mas toda vez que eu me aproximo de um cara interessante e começo a criar expectativas, ele pára de me ligar, não atende os telefonemas... E agora você vem insinuar que a culpa é minha? Pirou de vez... Olha, Rô, você acha que é querer de mais que ele responda os meus recados e me trate com respeito?
— Não falei isso, Gui!
— Mas foi exatamente isso que eu entendi! Agora, eu tenho que desligar porque tá na hora de ir pra manicure. Tchau!
Ela não tinha que ir à manicure, pois acabara de voltar de lá. Gui fugiu descaradamente da conversa que estava seguindo em um rumo muito incômodo pra ela. Roberta a tinha decepcionado. Sempre que se queixava, sua amiga lhe dava razão e palavras de conforto, dizendo que o cara não a merecia, que ela ia encontrar alguém que tivesse um sentimento puro e verdadeiro e todas estas coisas que servem pra consolar e enganar nosso orgulho. Desta vez, Roberta tinha falado o que realmente poderia ajudá-la: a verdade. Mas Guilhermina não aceitava. Ela preferia se passar por “eterna vítima”.
(Continua)
Nenhum comentário:
Postar um comentário